Voltar à bibliotecaPor que Deus permite o mal?

A defesa do livre-arbítrio

Afirmação

Um mundo de amor real e bondade moral precisa de liberdade real. A liberdade torna o mal possível. Isso não faz de Deus o autor do mal; faz do amor algo mais que programação.

O argumento

O desafio parece fechado. Se Deus é todo-bom e todo-poderoso, como o mal existe? Imagine duas casas. Na primeira, cada morador é programado para sorrir, dividir e nunca ferir. Sem crime. Também sem amor real: amor que não pode recusar não é amor; é software. Na segunda casa, as pessoas podem de fato escolher. Então a traição se torna possível. A segunda casa é mais arriscada. É também a única onde amizade, coragem, arrependimento e adoração significam algo.

A defesa do livre-arbítrio de Alvin Plantinga pôs esse pensamento em forma cuidadosa. Um mundo com liberdade moral genuína é um bem maior que um mundo de fantoches, e criaturas livres podem abusar da liberdade. Quando o fazem, a culpa é delas. Por décadas a velha alegação de que “Deus e o mal são logicamente impossíveis juntos” tem sido amplamente concedida como respondida. Até muitos filósofos ateus admitiram que o problema lógico puro falha. O mal não força uma contradição no papel.

O que resta é o peso do mal no mundo que vemos: quanto, quão fundo, quão perto de casa. Essa é outra pergunta, e as próximas entradas a tomam. Mas note a bifurcação já. Ou Deus só poderia ter feito fantoches, e então o amor é ficção, ou Ele fez seres livres, e então as chances de um mundo sem abuso da liberdade não são o que assumimos de leve. O cristianismo não chama o mal de bem. Diz que o mal é parasita de um dom bom: a liberdade ordenada ao amor a Deus e ao próximo. O dom pode ser torcido. O Doador não é a torção.

Em resumo

  • Amor que não pode recusar é programação, não amor.
  • Plantinga: criaturas livres + possível abuso respondem ao problema lógico do mal.
  • Até muitos filósofos ateus concedem que a contradição lógica pura falha.
  • O peso evidencial do sofrimento é outra pergunta; a liberdade já muda a bifurcação.
  • O mal é parasita de um dom bom, não prova de que o Doador é mau.

Âncoras bíblicas

  • Gênesis 1:26-31

    Feitos à imagem de Deus, com vontade; a narrativa da criação dá a liberdade como fundamental.

  • Deuteronômio 30:19-20

    'Escolhe a vida', o apelo assume que a escolha é real e consequente.

  • Josué 24:14-15

    Josué oferece escolha genuína: servir o Senhor ou servir deuses, o chamado é liberdade.

Objeções e respostas

  • Por que não criar seres livres que sempre escolhem o bem livremente? Deus poderia ter feito isso.

    Se toda escolha “livre” é garantida boa de antemão, a “liberdade” é rótulo em cima de um roteiro. Liberdade real inclui a possibilidade viva de recusa. Um mundo em que a recusa é impossível não é um mundo livre com resultados sortudos; é a casa dos fantoches com outro nome. Deus pode saber o que criaturas livres farão sem forçar a escolha; isso é outra alegação que programá-las para nunca cair.

  • O livre-arbítrio pode explicar a crueldade. Não explica terremotos, câncer e dor animal.

    Justo. O mal natural pede mais que “as pessoas escolheram mal.” O quadro cristão mais amplo inclui um mundo desordenado sob a queda, uma criação que geme, e um Deus que o renovará. A defesa do livre-arbítrio foi feita contra a alegação de contradição lógica, não como teodicéia completa de cada tsunami. Entradas seguintes tomam o propósito no sofrimento e o Deus que sofre. Empilhe as respostas; não exija que uma chave abra todas as fechaduras.

  • A neurociência mostra que decisões são eventos cerebrais. O livre-arbítrio é ilusão.

    Eventos cerebrais acompanham escolhas; isso não prova que escolhas são só eventos cerebrais, assim como traços de tinta não provam que uma carta não tem autor. Se o livre-arbítrio é ilusão, também o é a culpa moral em sentido forte, e o problema do mal perde o veneno: não há “dever” real, só fiação. A maioria dos críticos de Deus ainda vive como se as pessoas fossem responsáveis. Essa assunção vivida é difícil de casar com determinismo duro.

Proponentes

Alvin Plantinga · C. S. Lewis · Agostinho de Hipona

Para aprofundar

  • Alvin Plantinga, God, Freedom, and Evil (1974), a obra clássica que enfrentou o problema lógico
  • C. S. Lewis, O Problema do Sofrimento (The Problem of Pain, 1940)

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