Hinduísmo
Afirmação
Tradições hindus oferecem profunda saudade do Absoluto, mas suas escolas mais altas discordam se a realidade última é pessoal, e o carma não oferece graça final de fora do eu.
O argumento
Fale com justiça primeiro. O hinduísmo é uma família de caminhos com raízes védicas, não o livro de um fundador. Muitos sustentam Brahman como realidade última, o atman preso no samsara pelo carma, e moksha como liberação por conhecimento, obras ou devoção. A Gita é amada com razão: leva a sério dever e devoção. Centenas de milhões vivem nessa herança.
Depois teste a parede mestra. As escolas mais prestigiadas não concordam na pergunta mais básica: o Absoluto é pessoal? Advaita diz que o eu é idêntico ao Brahman impessoal; outros mestres insistem num Senhor pessoal distinto das almas. Se os próprios picos da tradição apontam lados opostos sobre quem é Deus, “todos os caminhos são um” não é conclusão dos textos; é esperança posta sobre uma fenda. O carma aprofunda o problema: o livro-razão nunca se limpa de todo por graça de fora. Você sobe, ou cicla.
O cristianismo não zomba da saudade. Nomeia Aquele por quem a saudade era: um Deus pessoal que fala, faz aliança e salva por graça em Cristo, não por autoextração sem fim da roda. O evangelho não é mais um yoga entre muitos. É notícia de que o Absoluto tem rosto, e esse rosto foi crucificado por você.
Em resumo
- Mapa justo: Brahman, carma, samsara, moksha; muitas escolas, não um slogan.
- Escolas de pico se dividem sobre se a realidade última é pessoal.
- O carma carece de graça final de fora do eu.
- O evangelho responde à saudade com um Salvador pessoal, não outro ciclo.
Âncoras bíblicas
- Atos 17:24-28
Paulo diante de uma cidade cheia de deuses: um só Criador de tudo, não longe de ninguém, o anseio do bhakti, respondido.
- Hebreus 9:27-28
Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, e Cristo ofereceu-se uma só vez. A resposta direta da Escritura à roda dos renascimentos.
- Efésios 2:8-9
Pela graça, por meio da fé, não por obras, o oposto exato de um livro-razão cármico, dito numa frase.
Objeções e respostas
Todos os caminhos sobem a mesma montanha. O hinduísmo inclui Jesus com generosidade; o cristianismo exclui todos os outros com arrogância.
A alegação dos muitos caminhos é, ela mesma, uma alegação particular, vedantina, de que a exclusividade de todos os outros é um mal-entendido. Ela 'inclui' Jesus rebaixando-o a um avatar, o que contradiz tudo o que ele afirmou sobre si; reescrever as outras fés dentro da sua é exclusivismo com modos melhores. E confira a metáfora: um Criador pessoal distinto do mundo e um Absoluto impessoal idêntico a ele não são duas trilhas para um só cume, são montanhas diferentes.
O karma é mais justo que a graça: cada um recebe exatamente o que merece, sem nenhum substituto inocente punido.
O livro-razão do karma nunca fecha: seu sofrimento agora é explicado por faltas que você não lembra, de vidas que não pode verificar, numa série sem primeiro lançamento. E 'exatamente o que você merece' é justamente o terror do qual os próprios devotos do Gita fogem para a misericórdia de Krishna, a tradição não para de estender a mão para a graça. Quanto ao substituto: a alegação cristã não é que um inocente involuntário foi punido, mas que o próprio juiz ofendido desceu e absorveu a dívida. Isso não é violação da justiça; é o que o amor faz com ela.
A reencarnação dá muitas chances; o cristianismo dá uma vida e depois o juízo. O que soa mais misericordioso?
Nos termos do próprio sistema, não é misericórdia: é a prisão por dívidas prorrogada, potencialmente milhões de vidas, sem memória da ofensa, sem garantia de progresso; as próprias tradições chamam o samsara de oceano de sofrimento do qual escapar, não de presente de segundas chances. O 'uma vida e depois o juízo' do evangelho vem acompanhado do que o samsara nunca oferece: o juiz assumindo a sentença, e um veredito, perdoado, que nenhuma vida futura pode desfazer.
Proponentes
Lesslie Newbigin · Timothy Tennent · Winfried Corduan · Harold Netland
Para aprofundar
- Timothy Tennent, Christianity at the Religious Roundtable (Baker Academic, 2002), um diálogo respeitoso e rigoroso com pensadores hindus (em inglês)
- Winfried Corduan, Neighboring Faiths (2ª ed., IVP Academic, 2012), a introdução cristã de referência às religiões do mundo (em inglês)
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