Como o cânon se formou
Afirmação
As igrejas não inventaram o Novo Testamento por decreto tardio. Por regiões, reconheceram os mesmos livros apostólicos antigos que já liam como Escritura.
O argumento
A versão de filme diz que um concílio do século IV, pressionado por um imperador, escolheu vencedores de uma pilha. O registro é mais quieto e mais forte. Dentro do próprio Novo Testamento, as cartas de Paulo já circulam e se sentam ao lado das "demais Escrituras." No século II, escritores de todo o império citam os quatro Evangelhos e Paulo como Escritura. A lista Muratoriana, em geral datada do final do século II, já reflete a maior parte do nosso Novo Testamento.
Pense em probabilidades por um momento. Suponha que os livros fossem escolhas arbitrárias e tardias. Quais as chances de congregações na África, na Ásia Menor, em Roma e na Síria, sem e-mail, sem imprenta e sem uma polícia única de doutrina, convergirem no mesmo núcleo: quatro Evangelhos, Atos, Paulo e as grandes cartas católicas? Alta coordenação sem centro é difícil. Reconhecimento orgânico de livros apostólicos antigos e amplamente usados é a história mais simples, e combina com a papelada.
As igrejas pesavam candidatos em público: ligação a um apóstolo ou seu companheiro, acordo com a fé recebida desde o início, leitura contínua no culto através das igrejas, não num canto só. Listas formais vieram tarde, como arquivamento. A carta pascal de Atanásio, em 367, traz a primeira lista com exatamente os nossos vinte e sete livros; Hipona (393) e Cartago (397) confirmaram o mesmo conjunto. Confirmaram, não inventaram. Quanto ao Antigo Testamento, Jesus recebeu Lei, Profetas e Salmos como Escritura inteira. O cânon é menos uma loteria surpresa e mais a contagem lenta do que as igrejas já tratavam como Palavra.
Em resumo
- O uso veio primeiro; listas formais depois ratificaram o que as igrejas já liam.
- Escritores do século II em todo o império já tratam o núcleo do NT como Escritura.
- Acordo regional independente no núcleo é difícil de explicar como escolha arbitrária tardia.
- Critérios: ligação apostólica, conteúdo ortodoxo, uso católico (amplo).
- Jesus recebeu o Antigo Testamento como Escritura; a igreja reconheceu o testemunho apostólico sobre ele.
Âncoras bíblicas
- Lucas 24:44-45
Jesus nomeia a Bíblia que recebeu, Lei, Profetas, Salmos, e a lê como apontando para ele mesmo.
- 2 Pedro 3:15-16
As cartas de Paulo postas ao lado das 'demais Escrituras', consideração canônica já dentro do Novo Testamento.
- Colossenses 4:16
Leiam esta carta e troquem com a igreja vizinha, leitura pública e circulação, a semente do cânon.
- 2 Timóteo 3:16-17
Toda a Escritura é inspirada por Deus, o que a igreja confessava sobre os livros que reconheceu.
Objeções e respostas
O cânon foi decidido séculos depois, por motivos políticos, Constantino e o Concílio de Niceia escolheram os livros.
Niceia (325) debateu a divindade de Cristo; suas atas não contêm decisão alguma sobre o cânon, a conexão é ficção popularizada por romances. O núcleo do Novo Testamento já funcionava como Escritura dois séculos antes de Constantino, em igrejas que eram perseguidas pelo império, não dirigidas por ele.
E os evangelhos excluídos, Tomé, Pedro, Maria? Cristianismos rivais não foram silenciados junto com seus livros?
Leia-os lado a lado, é o teste honesto. Os evangelhos apócrifos são, em geral, mais tardios (do século II em diante), desligados da geografia e do judaísmo da Palestina do século I, e muitos nem sequer são narrativas, mas coleções de ditos esotéricos. Nunca tiveram uso amplo através das igrejas. Não foram expulsos de última hora; nunca estiveram dentro.
'As igrejas reconheceram' só quer dizer que escolheram os livros que concordavam com elas, circular e subjetivo.
Os critérios eram públicos e conferíveis: conexão apostólica, acordo com a fé recebida desde o princípio, uso contínuo através de igrejas espalhadas. Repare no que essa estrutura lembra: não um voto de comitê, mas um consenso distribuído, formado de modo independente em várias regiões, sem poder central, o tipo de consenso mais difícil de forjar. Falível? Sim. Arbitrário? As evidências dizem que não.
Proponentes
Atanásio de Alexandria · F. F. Bruce · Michael J. Kruger · Wesley Huff
Para aprofundar
- F. F. Bruce, O Cânon das Escrituras (The Canon of Scripture, 1988)
- Michael J. Kruger, Canon Revisited (2012), como o cânon foi reconhecido, não fabricado
- Wesley Huff, Can I Trust the Bible?, ep. 1 'The Right Books' e ep. 3 'O Concílio de Niceia' (documentário, wesleyhuff.com): sobre quais livros pertencem ao cânon e o que Niceia decidiu e não decidiu
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